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Por Dom Williamson
Número CMXV (915) – 25 de janeiro de 2025
POR QUE “RESISTÊNCIA”?
Por que ter receio da FSSPX? Por seu direcionamento.
Ela leva à aceitação dos erros da Roma infiel.
Segue abaixo um testemunho de um padre que saiu da FSSPX, que remonta a 2013. Ele está aqui ligeiramente encurtado e adaptado. Basicamente, Roma insiste que a FSSPX aceite a missa nova e o Vaticano II. Mas, passados doze anos, a FSSPX não cedeu em nenhum dos dois pontos:
Se, como um grupo de 25 adultos e 10 crianças, o que representa cerca de um terço de uma paróquia normal da FSSPX, decidimos tornar-nos independentes, não foi por causas emocionais. Não estamos zangados, amargurados ou ressentidos com a FSSPX. Nem saímos dela por amor à mudança ou por excitação. Basicamente, fomos forçados a sair da FSSPX por ela faltar com a verdade. Nunca quisemos contribuir para a destruição do movimento tradicional. O que fizemos foi estudar seriamente os documentos que lançam luz sobre a recente crise da FSSPX, e o bom trabalho da “Resistência” nos possibilitou entender o que aconteceu. Esperamos progressivamente encorajar mais padres e fiéis a fazerem o mesmo.
Finalmente percebemos que, para todos os propósitos práticos, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X havia tornado-se, na verdade, a décima congregação religiosa a unir-se à Igreja Conciliar. Mesmo que nenhum acordo tenha sido assinado até agora, o princípio de um acordo possível foi adotado pelo Capítulo Geral de julho de 2012. Ou seja, não importa a quantidade de condições que os líderes da FSSPX possam insistir em impor para esse eventual acordo, mas sim que eles decidiram que a Fraternidade poderia, doravante, assinar um pacto com aqueles que estão mudando implacavelmente a Fé Católica. Nas últimas negociações entre Dom Lefebvre e o Cardeal Ratzinger, que levaram às Consagrações de junho de 1988, o Cardeal demonstrou que Roma não tinha intenção de fazer nada sério pela Tradição Católica. Daí em diante, o Arcebispo nunca mais falou com autoridades romanas. Ora, não é a missa nova uma abominação diante de Deus, que ajuda inúmeras almas a perder a Fé Católica? Como pode algum católico digno desse nome até mesmo pensar em fazer um acordo com os defensores impenitentes de tal falsificação do único e verdadeiro Sacrifício indispensável de Nosso Senhor?
Lembro-me de Dom Lefebvre citando o profeta Malaquias ao falar contra a missa nova: “A vós, ó sacerdotes, que desprezais Meu nome e dizeis: ‘Em que desprezamos o Teu nome?’, Eu respondo: Vós ofereceis pão imundo sobre Meu altar; e se vós dizeis: ‘Em que Te profanamos?’, Eu digo: Sua mesa do Senhor é desprezível. Se vós ofereceis ofertas imperfeitas cegas para sacrifício, não é isto mau? E se vós ofereceis um coxo ou um doente, isto não é mau?... Diz o Senhor dos exércitos”. (1, 6-8).
A missão da FSSPX nunca foi integrar a estrutura da Igreja Conciliar para “transformá-la” desde dentro. Essa ilusão foi condenada por Dom Lefebvre em 1988 após as Consagrações. A missão da Fraternidade é treinar verdadeiros sacerdotes católicos. Esses sacerdotes, por sua vez, pregarão a Verdade e lutarão vigorosamente contra o erro, sem compromissos ou “conversas”, “diálogos” ou “negociações”. Essa pequena legião será então como um farol que atrai as almas de boa vontade. A atual administração da Fraternidade está reprimindo os que divergem e expulsando os críticos. A única maneira de continuarmos recebendo a Verdade e a proclamando alto e claro é separando-nos dessa nova FSSPX. Estejamos prontos para fazer muitos sacrifícios, rezemos muito pela solução da crise e por nossa perseverança na boa luta.
Você pode objetar: quando será o momento de nos unirmos a Roma? Como saberemos se temos um bom Papa? A resposta é bem simples: quando o Papa condenar publicamente a missa nova e proibir sua celebração sob pena de excomunhão; quando ele condenar e rejeitar publicamente todo o Vaticano II e suas consequências. Em outras palavras, quando ele tomar medidas para limpar a bagunça. E se perguntarmos quando podemos confiar totalmente na FSSPX novamente, a resposta é a mesma: quando todos os líderes da FSSPX e padres da Fraternidade que promoveram a nova linha forem rebaixados; quando os textos do Capítulo de 2012 forem devidamente condenados; quando os padres fiéis forem justificados pela nova administração; quando um livro sobre a história dessa crise for publicado e lido anualmente em nossas comunidades; quando um novo Capítulo Geral abdicar-se de qualquer contato com autoridades conciliares, até que Roma tenha limpado a sua bagunça. E se parece que isso nunca poderá acontecer, eu respondo simplesmente: E daí? Qual é o problema? Vamos apenas cumprir nosso dever, dar glória a Deus e deixá-Lo lidar com nossos antigos colegas que estão em perigo de comprometer-se. Rezemos e nos sacrifiquemos por sua conversão, com certeza. Mas comprometer-nos e colocar-nos em perigo? Jamais! No entanto, permaneçamos unidos a eles em oração.
Kyrie eleison.